Fazendo a fonte: Odisseia – uma jornada no monoespaço

Fazer uma nova fonte é sempre uma viagem longa e cheia de descobertas. No caso da Odisseia, ela começou com o trabalho de identidade visual para o escritório de arquitetura corporativa Leblon Arquitetura. Apesar do nome que remete imediatamente ao Rio, os sócios queriam uma identidade com características minimalistas, como no design escandinavo. Suas referência eram grandes nomes do design de produto e arquitetura daquela região.

Essa foi a deixa para uma abordagem diferente na criação da identidade. Seguindo nossa característica de criarmos ferramentas no lugar de identidades visuais clássicas (e juntando a isso nossa vontade de criar uma família de fontes monoespaçadas) propusemos partir da criação de uma fonte que pudesse representar as características do briefing. Tudo combinado com o cliente, iniciamos a criação da fonte.

Desenhando no MonoEspaço

A característica essencial de uma família de fontes mono é que todas as letras, independentemente da sua largura e peso, devem ocupar sempre a mesma largura. Logo, letras largas como m e w, estreitas como o l e o i precisam de sérios ajustes para conseguirem conviver em harmonia. Por isso vemos em fontes mono recursos como serifas nos i mesmo que a fonte seja uma sans.

Desenhar monoespaçadas é um jogo constante de concessões e ajustes entre claro e escuro, para que essa relação se mantenha constante ao longo das palavras e parágrafos.

Como em todo desenho de letra, o olho humano importa mais do que a matemática. A parte mais tranquila do processo é que a gente não precisa se preocupar com o kerning — relação espacial entre pares de letras conflitantes, como A/V ou fi, por exemplo.

O nome da fonte

A relação de espaço e o jogo entre claro/escuro presentes tanto neste estilo tipográfico quanto no trabalho do arquiteto inspirou o nome da família: uma Odisseia no mono-espaço. O nome imediatamente trouxe milhares de ideias sobre como promover a fonte, brincando com a riqueza do universo do filme 2001: uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.

Legibilidade e estilo

Letras como 0/O, 1/l/I precisam ser desenhadas bem diferentes para não serem confundidas entre si. Por isso vemos o número zero com um traço diagonal ou círculo no centro em fontes monoespaçadas.

Na decisão de estilo, fez sentido pra gente criarmos uma humanista sem serifa. E quisemos dar a opção ao usuário de escolher entre formas distintas de letras, como o a de em e dois andares na versão romana (e o inverso na itálica).

Os símbolos tais como asterisco, seção, parágrafo e outros foram criados com tamanho e estilo pensados para os usos mais comuns deste estilo: software de programação.

Fazer fontes, vender fontes e contar uma história

Fazer fontes parece mole, mole se compararmos com vender fontes! Em meio à tantas fontes, empresas e lançamentos, nunca na história foi tão difícil fazer sua fonte ser notada do que nos tempos atuais.

A gente já tinha experimentado criar um mini site dedicado à uma família tipográfica com a Tenez e vimos que funcionou bem. Para a Odisseia, levamos a ideia adiante, aprendemos algumas coisas novas e decidimos provar que a fonte tinha versatilidade para ir além dos usos comuns do estilo.

Comida espacial!

Specimen desenhado pela Flora, nossa Pinball Wizard

Um mapa das estrelas monoespacial

O specimen é interativo: é possível testar a fonte e seus recursos em tempo real. A gente ficou muito feliz de criar as imagens de exemplo, juntando a vontade de ver a fonte aplicada em casos possíveis de uso com o universo super interessante de ficção científica. De alimentos espaciais à mapa das estrelas, as imagens ficaram muito legais!

Simplificando o licenciamento de fontes

Seguindo uma tendência de designers de fontes independentes, a gente procurou fazer o processo de compra/licenciamento da Odisseia o mais simples possível. No site, bastou clicar em uma das 4 alternativas — pessoal, pequena, média e grande empresa — e a fonte já vai para o carrinho de compras.

A licença pessoal já inclui o direito de uso para até 10 computadores de uma mesma empresa, 15.000 visitantes únicos na versão *webfonts *e 1 ebook. A partir da licença para pequena empresa, já se pode usar a fonte também para a criação de aplicativos. Tudo isso já incluído no preço final.

A gente acredita que esse é o futuro do licenciamento de fontes e está apostando que isso pode facilitar a vida de quem quer ter fontes de qualidade para complementar seus projetos.

Toda jornada espacial requer uma tripulação à altura do desafio

Fazer a Odisseia foi uma jornada na qual nenhum dos designers da Plau hibernou. Todo mundo se dedicou muito para fazer um trabalho do qual nos orgulhássemos por anos-luz. Esses são os astronautas que fizeram a Odisseia:

  • Type Design: Rodrigo Saiani, Flora de Carvalho
  • Site e specimens: Rodrigo Saiani, Lucas Campoi, Flora de Carvalho, Carlos Mignot
  • Ilustrações: Flora de Carvalho, Lucas Campoi, Carlos Mignot
  • Agradecimentos: Raphael Carvalho, que criou a incrível animação do mapa das estrelas e Gustavo Saiani que nos ajudou a navegar pelo mundo do html/css/js.

Para licenciar a Odisseia:

Fazendo a fonte: Tenez — uma família tipográfica digna de Grand Slam.


Me formei em administração de empresas e ao longo dos estudos aprendi que para diminuir riscos financeiros, deveria buscar diferentes fontes de renda e diversificar meu portfólio.

Entendi o conselho ao pé da letra (literalmente!) e o segui me tornando designer e em seguida criando novas fontes — só que tipográficas.

Essas fontes são fruto de uma obsessão apaixonada e saudável por um universo muitas vezes desconhecido mas constantemente presente na vida de cada um de nós, o universo tipográfico.

O dia de hoje marca a data de lançamento da nossa quinta família tipográfica de varejo no site mais popular de venda de fontes — o MyFonts.

O nome dela é Tenez.

Sua ideia teve início a partir de um rascunho de um belo R para uma marca que estávamos desenvolvendo na Plau (que o Lucas rabiscou despretensiosamente e eu tive a sorte de encontrar).

O rascunho original da marca. Tudo começou pelo R.

A partir daí criamos o logotipo e eu segui desenvolvendo a fonte, tendo em mente um desenho altamente orgânico (queríamos que ela parecesse ter sido desenhada à mão) de alto contraste (tipo Bodoni, Didot, Walbaum) mas com personalidade única e afastada do modelo clássico dessas fontes citadas acima.

Busquei um mapa de caracteres bem abrangente — dá para falar até Vietnamita com a Tenez — e caracteres que pudessem ser usados sozinhos, por isso desenhamos cada um no capricho!

& Black e Black Italic
Pesos
Ligaduras
O dois pontos se ajustam quando digitamos os horários.

O resultado final é uma família tipográfica em 8 estilos — light, regular, bold, black e os itálicos — para ser usada em tamanhos grandes (pense naquela abertura de matéria de uma revista chique, logotipos de marcas de moda e gastronomia, capitulares de livro, para definir alguns).

E nada disso seria real não fossem os Specimens — as imagens que mostram como a fonte poderia ser usada em situações reais — criados pela equipe da Plau: Lucas Campoi, Flora de Carvalho, Daniel Rocha, Gabriel Galc e Dominique Kronemberger.




Specimens: de cima para baixo: Gabriel Galc/Lucas Campoi, Flora de Carvalho, Rodrigo Saiani e Dominique Kronemberger

E da paciência da Vanessa, minha mulher, que teve que me aturar teclando e clicando bilhões de vezes ao seu lado na calada da noite. Ela sabia que era por uma boa causa. E de tantas outras pessoas, que para reduzir o risco de esquecer, omito aqui mas que foram igualmente importantes para que isso acontecesse.

Licenciem a Tenez, e tantas outras fontes de qualidade sendo produzidas por pessoas, que com grande amor ao ofício, vão criando novas fontes tipográficas, e de renda, no Brasil.

Para licenciar a Tenez: