Baixe Fontes Grátis – e pague por isso.

Fontes são ferramentas essenciais para projetos de comunicação visual. Elas vestem as mensagem com a roupa adequada à ocasião e muitas vezes são a estrela da festa. Quanto mais sensível e bem pensada a escolha, melhor o resultado do projeto.

Diversos fatores precisam ser levados em consideração na hora de decidir qual fonte usar em um projeto, mas às vezes um deles fala mais alto: grana.

É um fato, as fontes mais cobiçadas do mercado são pagas. O difícil é que elas nem sempre estão ao alcance do nosso bolso ou do orçamento dos nossos clientes. Em países de moeda fraca – caso do nosso Brasilzão – isso é ainda mais latente, já que os preços dessas belezuras geralmente estão em Dólar, Euro, Libra ou até mesmo Francos Suiços! Nesses casos, fontes gratuitas são uma solução viável.

Fontes grátis existem aos zilhões, mas há diferenças importantes entre elas. A principal delas é que existem diferentes modelos de licença – uma espécie de acordo entre você e o criador/distribuidor da fonte sobre como aquele arquivo deve ser usado.

Para te ajudar nessa escolha, destacamos o que esperar de diferentes tipos de licença para fontes gratuitas e explicando prós e contras de cada um:

Libre – é um formato de licença que permite usos pessoais ou comerciais e encoraja que os usuários modifiquem as fontes e contribuam para o ciclo de desenvolvimento do software.

Dentre os formatos gratuitos, esse é um dos que menos causa dores de cabeça, uma vez que a licença garante o uso ilimitado e prevê até mesmo alterações.

Serviços como o Google Fonts tornam a distribuição deste tipo de fonte bastante acessível e fácil de usar. O problema é que às vezes essas fontes popularizam demais e podem acabar ficando “batidas”, ou seja, onipresentes nas peças de comunicação que vemos por aí. Se a intenção é dar uma voz diferente para seu projeto, quase sempre vale a pena procurar um pouco mais.

Free for personal use (grátis para uso pessoal) – Muitíssimo comum em sites como o popular DaFont, esse tipo de licença é interessante para estudantes e entusiastas não profissionais. O outro lado da moeda é que muitos designers desconhecem que para usá-las comercialmente deve-se pagar uma licença.

Em sites como o DaFont, você corre o risco de baixar projetos bem amadores, com problemas graves de proporção, qualidade das curvas, falta de acentos entre outros. Fique atento para não prejudicar seu projeto por conta disso.

Outro ponto importante: em algumas bibliotecas deste tipo, se infiltram cópias piratas de fontes comerciais. Com isso você pode estar, sem querer, infringindo a lei e causando uma potencial dor de cabeça para você e para o seu cliente.

Pirataria de fontes comerciais pagas incluídas em sites “deep web”: esse aqui nem deveria entrar nessa lista, mas todo mundo sabe que acontece.

A gente até compreende, testar antes de comprar é preciso e esse método acaba sendo usado em momentos de desespero ou até com intenções legítimas de aprovar um caminho, para que se licencie corretamente as fontes depois do “ok” do cliente. Mas temos que ser claros: isso não é uma prática honesta.

Agora a boa notícia! Reconhecendo que isso é uma realidade, mais e mais foundries (as empresas que criam e comercializam fontes) oferecem formas de experimentar fontes, seja em seus sites ou em versões de teste disponíveis para download gratuito.

Além disso, surgiram recentemente serviços inovadores como o Fontstand em que se pode testar fontes gratuitamente por um período determinado ou até mesmo alugá-las por um valor mais acessível para projetos temporários e afins. A Klim, Grillitype e Dalton Maag são algumas das foundries que já oferecem versões para teste das suas fontes.

O Typekit, da Adobe também é uma solução interessante – vem inclusa no pacote Creative Suite da Adobe e disponibiliza muitas e muitas fontes de qualidade para uso em computadores e em sites.

Pra concluir, fontes gratuitas são uma solução possível, mas se você planejar e orçar o projeto já pensando em ter fontes comerciais mais exclusivas, seu projeto pode ficar ainda melhor! Outros pontos importantes:

  1. Mesmo que seja possível baixar a fonte de graça, procure saber se a licença permite o uso que você precisa para seu projeto.
  2. Usar fontes comerciais pode ajudar a dar mais personalidade para seu projetos. Pode ter certeza: fontes são no mínimo tão importantes quanto quaisquer outros elementos da comunicação visual.
  3. Aprender mais sobre fontes vai fazer seu trabalho ficar ainda melhor e isso pode fazer com que você se destaque e possa cobrar mais por ele. E com opções cada vez mais acessíveis, torcemos para que você separe uma parte desse dinheiro extra para licenciar fontes incríveis feitas com todo carinho e dedicação.

Tem alguma pergunta ou comentário? Fala comigo! Ah, e se você conhece alguém que se interessa por tipografia – compartilha esse texto!

Fontes pra que te quero!

Toda vez que escrevemos um texto, postamos nas redes sociais ou mandamos uma mensagem pro amor da nossa vida, existem heroínas silenciosas nos ajudando: as fontes!

Você já parou pra pensar sobre isso? De onde surgem as letras que usamos no dia a dia? Quem é que cria essas fontes? De onde elas vem? O que elas comem? Como elas apareceram no meu computador?

Fontes são programas

Um jeito muito fácil de pensar sobre fontes é compará-las a qualquer programa de computador.

Explicar é moleza, escuta só: elas são arquivos digitais e podem ser instaladas nos nossos computadores; são ferramentas, isto é, nos ajudam a expressar nossas ideias; podem ser gratuitas, pagas ou já vir instaladas em nossos sistemas operacionais – como o Windows, iOS ou o Android.

Esse último ponto explica em parte o motivo de acharmos que fontes simplesmente existem. Nossos computadores vêm cheios delas e as opções já parecem infinitas. E tem mais, a maioria parece tão igual, não é?

Em grande parte sim, mas para os profissionais que trabalham com comunicação visual, sempre existe espaço para mais uma!

Isso acontece porque eles tem a responsabilidade de associar mensagens de comunicação – uma embalagem de um produto de limpeza, uma lata de refrigerante, o memorando de uma empresa, por exemplo – a um tipo de letra que a complemente. Do mesmo jeito que pessoas escrevem à mão de maneira única, fontes também tem personalidade própria e suas formas comunicam algo. Elas tem, portanto, uma função parecida com a de fotografias, cores, sons e outros elementos no processo de comunicação.

Paul Watzlawick e seus colegas que estudavam a comunicação humana, chegaram à seguinte conclusão: é impossível não se comunicar.

Vamos pensar sobre isso: quando nos comunicamos, levamos, além do conteúdo da mensagem, uma série de informações extras, que derivam do nosso tom de voz, da nossa conduta, da nossa vestimenta.

É a mesma coisa com as fontes: mesmo se você não enxerga diferença alguma e escolhe por acaso uma fonte qualquer, você imediatamente está passando uma imagem para quem vai receber a mensagem.

Agora você sabe: fontes são programas que permitem e facilitam a comunicação e ainda por cima carregam personalidades que transformam a percepção da nossa mensagem para o destinatário, mesmo que a gente não saiba.

Se você tiver alguma dúvida sobre o que são e como funcionam as fontes, queremos te ouvir!